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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Emagreça (comendo) no inverno

Aposte nos alimentos termogênicos, que vão dar um ânimo extra na sua dieta mesmo nos dias mais frios

Marcela Rodrigues Silva

A temperatura cai, a preguiça chega e fica praticamente impossível manter a silhueta ilesa diante das delícias gastronômicas do inverno. E não adianta fugir. Segundo o médico Laércio Ribeiro, da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), o metabolismo fica mais acelerado quando exposto ao frio – já que precisa gastar energia para manter o corpo aquecido –, mas essa reação confere aquele desejo incontrolável por pratos gordurosos e calóricos. Um atalho e tanto para o aumento de peso.

A solução para equilibrar essa equação está, curiosamente, na comida, mais especificamente nos alimentos termogênicos: frutas, vegetais e temperos com propriedades que aceleram o metabolismo. “Esse tipo de alimento é responsável por pelo menos 10% do gasto de energias”, diz a nutricionista Priscila Serpa, da rede de academias Needs, em São Paulo.


Muitos desses alimentos devem entrar na despensa e na sua dieta: canela, gengibre, brócolis, laranja, vinagre, kiwi e pimenta são alguns deles. “Os termogênicos atuam na circulação e na digestão. É uma estratégia e tanto para driblar o comum aumento de peso no inverno”, diz a nutróloga Marcella Garcez, da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).



Superpoderosos



O poder de queimar calorias de forma mais rápida se dá, segundo a nutricionista Camila Attademo, da Clínica Libert, no Rio de Janeiro, porque os termogênicos aumentam a temperatura corporal e tornam a digestão mais lenta. “Além de gastar mais energia, eles saciam a fome.” Para potencializar a ação, o indicado é associá-los a pratos quentes e ricos em fibras. Então adicione canela no seu chocolate quente, tempere sua salada com vinagre, coloque gengibre na sopa. Saiba mais sobre seis poderosos termogênicos e outras maneiras de consumi-los para segurar os ponteiros da balança sem deixar de aproveitar as delícias de inverno:
 
Pimenta - A pimenta-vermelha, que contém capsaicina – substância que confere o sabor ardido e a propriedade funcional –, tem efeito vasodilatador e é um dos mais poderosos termogênicos: aumenta circulação, digestão e a temperatura do corpo. Pode ser consumida em qualquer versão, até em molhos.  Outro tipo termogênico é a pimenta-do-reino. “Nesse caso, a pimenta deve ser moída na hora. Do contrário, a substância piperina oxida e o alimento perde a função”, diz a nutróloga  Marcela Garcez. Especialistas indicam consumo livre   do tempero. Mas o ideal é, ao menos, 2 g ao dia.  Para potencializar  a queima calórica, consuma em  pratos quentes.

   
Vinagre de Maça - Temação antioxidante e seu efeito ácido funciona como a pimenta. Uma substituição esperta é usá-lo para temperar saladas, no lugar
 de molhos mais gordurosos. A dica é consumir 1 colher de sopa (de 5 a 10 ml ) por dia, no tempero de saladas e vegetais folhosos. “Além de ingerir um alimento com pouquíssima caloria, a pessoa vai temperar com outro que faz queimar ainda mais energia. É um aliado é tanto na dieta”, diz Marcella Garcez.
 
Gengibre - Pode ser consumido em sopas, caldos, pratos quentes, batidos com  sucos de frutas e até em chá. Tem efeito vasodilatador e, por isso, aumenta  a circulação e a temperatura do corpo. “Ele aumenta o metabolismo
em cerca de 15%. O ideal é consumir um pedaço de gengibre de aproximadamente 2 cm, 3 vezes ao dia”, indica a nutricionista Priscila Serpa


Canela - Com efeito vasodilatador, é um termogênico com a cara da estação, pois vai bem em diversos doces da época. Para obter o efeito, o ideal é consumir, pelo menos, meia colher de sopa por dia, seja em pó ou em pau. A nutricionista Marcella Garcez, da Abran, dá uma dica para driblar, com esta especiaria, a vontade de alimentos doces e calóricos. “Esquente uma maçã ou banana no micro-ondas e salpique canela. Além de saboroso, acelera o metabolismo e sacia a fome.” Associada a pratos quentes, a canela age melhor. Vale colocar até no chocolate quente.

Laranja - Além de conter bastante fibra, o que também facilita na digestão, a laranja é um potente acelerador do metabolismo. Mas só vale se for consumida inteira, com o bagaço. A casca, contudo, é a parte mais poderosa da fruta e pode ser aproveitada para fazer bolos, farofas e até doces.

 Chá-verde - A planta Camellia Sinasis,  que dá origem aos chás verde, branco e preto, contém polifenóis, e é rica em cafeína e catequina, que conferem o efeito termogênico. Além de aumentar o gasto energético e acelerar o metabolismo, o chá faz aumentar a queima de tecido adiposo, ou seja, gordura. “Prefira a infusão, que não tem o sódio dos produtos industrializados”, diz a nutricionista Priscila Serpa, que indica o consumo de uma xícara, 10 minutos antes de cada refeição ou após uma refeição pesada, como uma feijoada.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Estou na SPFW ( via Estadão) Acompanhem!

A partir de hoje, até o próximo domingo, estou na cobertura de mais uma SPFW (ufa)- aqui no Grupo Estado.


Diariamente, a equipe postará tudo - das passarelas aos backstages (arara e make), sem esquecer dos lounges e dos corredores por onde os fashionistas -e, claro, os fashion victins- desfilam, lá no blog MODA, do Estadão.com! (Acessem!)


E, no domingo, sai a edição especial SPFW da Revista JT - nas bancas - com curiosidade e nossas apostas de tendências para o próximo verão!


Beijos ; )

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Já conhece as farinhas de cascas de frutas? Aposte nelas para afinar! (Via Estadão)

Marcela Rodrigues Silva - O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde

Quando descartamos as cascas das frutas que consumimos, ignoramos a riqueza de seus nutrientes. Com tantas vitaminas e fibras quanto a polpa, esta parte antes tão desprezada também está se popularizando graças a uma nova forma de consumo. De maracujá, maçã, uva, laranja e até de banana verde, as farinhas de casca de fruta podem fazer o organismo funcionar melhor e até auxiliar numa dieta de emagrecimento.


"Acrescentar esse tipo de farinha à alimentação de todos os dias é uma maneira barata e prática de consumir fibras vegetais", afirma a nutróloga Sylvana Braga, membro da Academia Brasileira de Medicina Antienvelhecimento.

 
 
Leia a reportagem na íntegra a saiba mais sobre as funções de cada tipo de farinha e - o melhor - como fazê-las em casa:  

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,aposte-nas-farinhas,721549,0.htm
 


domingo, 15 de maio de 2011

Uma entrevista e uma lição: D. Maria Conceição, a "Mais bela idosa de SP"

Adoro receber lições de vida de personagens. O dessa semana veio de uma senhora de 68 anos, ex-segurança, recém-casada, budista,  com um passado sofrido mas que só fala de felicidade e determinação. Foi eleita a mais bela idosa de SP! Negra linda e de sorte - o marido faz os vestidos e penteados dela. Nessas horas eu lembro por que resolvi fazer jornalismo:

GENTE DA CIDADE
Maria Conceição Liberato, a mais bela idosa de SP 2001

"Ser bela é não se aborrecer"

Por Marcela Rodrigues Silva
Revista Jornal da Tarde/15/05/2011

Em 68 anos de vida, Maria Conceição Liberato jamais havia participado de concursos de beleza. Desfiles, então, só pelas ruas de São Paulo, para exibir os mais de 20 vestidos que o marido, José Ademar, 54 anos, 14 a menos do que ela, confeccionou para a amada nesses dois anos de casados. Foi por insistência dele, rechaçada pelo coro dos oito filhos, 16 netos e 3 bisnetos que ela se arriscou e venceu outras 24 senhoras no concurso A Mais Bela Idosa de SP, realizado na semana passada pela Secretaria de Estado de Saúde. Maria veio de Minas Gerais aos nove anos, mora em Guaianases, na zona leste, e foi faxineira e segurança. A vida de dificuldades não abalou Dona Maria Conceição, aposentada, que se apoia no budismo. “Não tenho tudo, mas amo o que tenho”, diz. Bela, simpática e cheia de frases de efeito, falou à Revista JT:



Como está sua vaidade após o prêmio? Ficou surpresa?
Minha vaidade é a mesma de sempre. Aliás, eu não me acho tão bonita. Foi minha filha quem me inscreveu nesse concurso. Minha família torceu tanto que acabei ganhando.
O que faz para se sentir mais bonita no dia a dia?
Ah, de maquiagem eu adoro um batom. É meu marido quem gosta de moda e me influencia. Ele é modelista. Para o concurso, ele fez meu penteado, criou e confeccionou os três vestidos que usei nos ensaios e no concurso. Ele adora me fazer vestidos. Se puder, ele faz um toda semana.

Vocês são recém-casados?
Nos casamos em 2009, após oito meses de namoro. Nos conhecemos num baile dançante. Eu estava determinada, rezava para encontrar um companheiro. Tive sorte. Ele faz tudo por mim Seu marido não tem ciúme? Temos muito amor e respeito um pelo outro. Ele é muito bom para mim, me incentiva a ficar mais bonita.

Já teve outros casamentos? Tive dois. O primeiro faleceu; no segundo tive uma separação amigável. Só guardo boas lembranças deles.

Qual a rotina da senhora?
Acordo cedo, levo meu neto de 10 anos na escola, cuido da casa, faço almoço, busco meu neto e continuo cuidando da casa. Eu adoro.

Já trabalhou fora?
Fui segurança durante uns oito anos.

Segurança? Como foi?
Sim, sempre quis ser. Era um sonho. Em 1986 fui trabalhar como faxineira numa fábrica e, oito meses depois, me chamaram para ser segurança. Fiquei oito anos, até que um dia levei um tombo em serviço e me aposentei por invalidez. Já faz 13 anos isso.

O que faz para se divertir?
Adoro sair para dançar com o Ademar e ouvir música romântica. Sou uma negra que trocou o samba pela MPB e o forró.
Acha que existe um segredo para uma pessoa ser bela?
Acho que a reclamação não deixa ninguém bem. Costumo dizer que se algo aborrecer, precisa colocar um abacaxi na boca e esperar. É melhor não revidar. A natureza se encarrega de acertar as coisas no tempo certo. Temos que pensar positivo. Nada de pensar coisas ruins. Tudo volta.

A senhora é sempre positiva?
Aprendi com a vida. Sofri muito, mas só lembro das coisas boas. Passei por várias religiões, e há dois anos encontrei o budismo, que me faz bem. É uma lição de vida todo dia.
 
--
 
Pois é Dona Maria Conceição,  dá vontade de sair colocando abacaxi na boca de muita gente. Se dá!
Boa semana!



















sexta-feira, 29 de abril de 2011

Acordei às 5h da manhã pelo casamento real. E valeu a pena (Suspiros)



Sim, depois de me inspirar  - e suspirar - muito, eu consegui acordar às 5 da manhã desta sexta-feira para assitir ao (olha o clichê!) casamento do século. Ontem, no colchão  na sala e despertador a postos, e fiquei pensando nessa discussão exaustiva sobre o casamento e como eu mesma me rendera a todo o clima de ansiedade exagerada pela união de William Arthur Philip Louis e Kate Middleton .  Sim, estava ansiosa.

Hoje cedinho, acordei, liguei  a TV  e começei a ver no momento em que os convidados chegavam. Entre uma soneca relâmpago e outra, assisti tudo como qualquer outra pessoa do mundo (talvez um pouco mais romântica). Nada de reflexão  e crítica de jornalista.

Assisti pelo fato histórico. Pelo romantismo. Pela magia. Porque adoro casamentos, príncipes, princesas e moda! Se determinados momentos do protocolo pareciam um tanto chatos de acompanhar, era só desviar o foco para os modelitos das convidadas e, claro, aguardar o de Kate , que superou - eu acho- todas as expectativas ao vestir um (perfeito) modelo da grife Alexander McQueen. O mais lindo que já vi. (Bem similar ao da diva Grace Kelly, que casou-se em 1956. Polêmica ou bom gosto e ponto?)

(Suspiros Suspiros Suspiros )


Suspiro pela história de William (pela de príncipe mesmo dele) e Kate, pela história de Diana, da Família Real...


Aqui, um registro de links sobre o casamento real para este blog  não esquecer que, sim, príncipes e princesas existem (mais suspiros de noiva):
Ei, você, que ficou reclamando(oi?), que todo mundo só fala disso, clica aí nos links suspira ou pouco. Ou será que está ocupado fazendo algo pelas tragédias que tanto quer(? ué!) ver?!





***este post também faz parte da série: me faz chorar - claro!

Aliás, como a mãe da noiva -e a própria - não chorou, gente?

 suspiros ; )

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Entrevista com Rosângela Lyra

Rosângela Lyra, pra mim, sempre foi a diretora-linda-elegante-poderosa da Dior no Brasil. Depois que a entrevistei, no inicio do mês, passei a ver mais: inteligente, bem-humorada, educada e gentil. Me surpreendi ao ouvir que ela, no posto que tem, só possui três bolsas (rs). O objetivo da coluna "Gente da Cidade", da Revista Jt, é esse. Mostrar um pouco mais de paulistanos de destaque. Abaixo, a entrevista publicada no dia 03/04/11:


GENTE DA CIDADE
Rosângela Lira, Diretora da Dior no Brasil

"Amo São Paulo. Gosto até do trânsito"



Foto: divulgação

Por Marcela Rodrigues Silva

Rosângela Lyra teve vida de princesa, mas não limitou-se ao status de moça rica. Aos 46 anos, a sogra do jogador Kaká gosta de ver – e fazer – as coisas acontecerem. Em seu twitter, em que atende por @rolyra_dior, ela mesma dá pistas de sua rotina: “Administradora, presidente da Associação de Lojistas dos Jardins, diretora da Dior no Brasil, apaixonadaporJesus”.

Entre viagens internacionais, ainda arruma tempo para frequentar um grupo de orações na Igreja São José, nos Jardins. Apesar de viver mergulhada no circuito de moda, sequer lembra a expressão blasé típica de fashionistas deslumbrados.

Bem-humorada e prestes a ser avó novamente, faz campanha “xô botox” na internet e ainda pratica o desapego. “Só tenho três bolsas.” Confira  a entrevista concedida à Revista JT:

Soube queo Kaká contratou uma personal stylist. Você dá dicas a ele?
Não estou sabendo e não lembro de ter dado dicas. Mas sempre que o vejo elegante, faço questão de falar. Aliás, ele fica muito bem de terno.

Carol Celico (mulher de Kaká) é elegante como você.Tem influência sua?
Fui mãe aos 22anos. Ela cresceu viajando comigo e ia aos desfiles. É natural que tenha o gosto apurado.

O que é ser elegante?
É ser seguro, tratar a todos bem. Ter convicções, mas ser humilde o
bastante para mudar. No vestir, é ter personalidade, não querer uma peça só porque todos a têm. 

Já viu alguém usando Dior e, mesmo assim, cometer um crime fashion?
Não! E ainda bem. Porque eu falaria e ficaria numa saia justíssima. 

Por que não há coleção masculina da Dior no Brasil? Aliás, acha que os brasileiros vestem-se bem?
Está no business plan a longo prazo. Mas não acho que os homens daqui vistam-se bem. E o clima quente também não ajuda muito.

Como presidente da  Associação de Lojistas dos Jardins, orgulha-se de
alguma conquista na área?
Sim. A reurbanização da Oscar Freire, com aterramento dos fios, novo mobiliário urbano e calçadas uniformes.

Elegeria outro point fashion em São Paulo?
A região da Oscar Freire é única: Haddock Lobo, Bela Cintra, Lorena...O quadrilátero mais charmoso da cidade.

O que você faz para se divertir em São Paulo?
Andar pelos Jardins. Sinto como se estivesse na Europa, onde caminhar olhando vitrines, pessoas e comportamentos, faz parte da viagem. Adoro!

Você é católica assumida e, ao mesmo tempo, vive num mundo de alto consumo. Há algum conflito nisso?
Trabalho comum a marca internacional, de qualidade e exclusividade, diferente do consumismo desenfreado.

O que achou da postura da Dior diante dasde clarações do estilista John Galliano (que recentemente afirmou amar o ditador alemão Adolf Hitler)?
Dior foi nota 10 e rápida. Os valores da marca estão acima de qualquer pessoa.

Que peças manteria para sempre no seu closet?
Várias, mas sou desapegada. Vou dando meu guarda roupa. Tenho só três bolsas.

Como mantém a juventude?
Comecei uma campanha noTwitter chamada “xô botox”. Algo cujo nome é “toxina” não pode ser bom. Ainda não pinto o cabelo porque não vieram fios brancos. A alimentação é saudável, mas sem neuras. Me exercito com o mesmo personal trainer (Alexandre Polo) há 15 anos. Além disso, a fé que tenho em Deus é a luz que irradia a minha volta.

Pra você São Paulo é...
Repleta de antagonismos e contradições: planejada e caótica, calorosa e fria, simplesesofisticada, acolhedora e aterrorizante, avançada e retrógrada. Amo São Paulo!

Algo que não lhe agrade?
Ah, amo tudo. Até o trânsito! Nele exercito a minha paciência. ::

[*Por Marcela Rodrigues Silva / Publicada na coluna Gente da Cidade, na Revista JT, do Jornal da Tarde (Grupo Estado), 03/04/2011]

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Balé para maiores [Ainda dá tempo!]

 
BALÉ PARA MAIORES

*Por Marcela Rodrigues Silva 
 12/02/2011 / JT
 
O papel de protagonista em Cisne Negro valeu a Natalie Portman a condição de favorita na disputa do Oscar de melhor atriz. Mas a preparação para interpretar a bailarina Nina começou um ano antes do início das filmagens e, assim, a atriz de 29 anos reanimou o vínculo afetivo com o balé, atividade que praticou dos 4 aos 12 anos, quando conquistou o primeiro papel e largou a dança.

Longe de Hollywood, a cantora paulista de timbre doce Bruna Caram, 24 anos, considerada um dos talentos da nova MPB, também voltou-se ao armário onde as sapatilhas de balé passaram 10 anos intactas depois de temporadas de uso intenso. O retorno à atividade aconteceu por acaso, há alguns meses, quando ela se mudou para um local vizinho a uma escola de dança: a Casa de Dança Tati Sanches, em Perdizes. “Fui lá saber se aceitavam bailarinas enferrujadas. Descobri mais bailarinas arrependidas dos anos 90 do que sonhava a minha vã filosofia”, diz ela.

Hoje, Bruna faz aulas três vezes por semana e descobriu no balé também um aliado no palco. “Na primeira aula já adulta, quase chorei de dor. Agora, só tenho benefícios, principalmente com a noção espacial e a postura”, destaca a cantora, que pretende se apresentar de bailarina num de seus shows. Memórias afetivas não faltam. Quando criança, Bruna encarou 4 anos de treinos, até conquistar a tão sonhada sapatilha de ponta. Mas as dores venceram a empolgação. A menina preferia brincar. “Desisti. E me arrependi pela vida toda”, conta.

FOTO: PAULO LIEBERT/AE


Bruna Caram representa um perfil específico de mulheres atraídas às escolas de balé. São adultas que retomam o prazer da infância numa atividade física prazerosa. Atentas a essa tendência, academias têm apostado nas aulas de balé noturnas, horário que atrai novas ex-bailarinas. “O balé cria afetividade, mexe com o corpo, a mente e dá desafios”, diz Simone Sant’Anna, diretora artística da escola Pulsarte, que mantém seis turmas para adultas. A afetividade explica o apego de Bruna. Seus dez pares de sapatilhas usadas jamais irão para o lixo.

As bailarinas de fim de semana são mulheres que já praticaram o balé clássico na infância ou adolescência, mas largaram a dança por motivos pessoais ou profissionais. “Elas vêm em busca de um corpo definido, feminino. Procuram bem-estar ou, simplesmente, dançar novamente”, diz a professora Simone Sant’Anna.

Não à toa, o balé também caiu nas graças de muitas famosas. Professor de balé clássico da Studio 3 Espaço de Dança, José Ricardo Tomasilli, 43 anos, já ensinou passos às atrizes Luana Piovani, 34, Paula Burlamarqui, 44, e às veteranas Totia Meirelles, 52, e Marília Pêra, 68 – prova de que a dança também desafia os limites físicos da idade. “O balé clássico trabalha a disciplina, a respiração, e sobretudo, a expressão corporal”. Totia, guarda de herança dos tempos de espetáculos a postura ereta perfeita. As aulas, ela pratica até hoje, mas com menos rigidez. “O balé me influenciou completamente na atuação. Decoro textos e marcações no cenário com facilidade. Sem contar a melhora na expressão corporal”, diz a atriz.


Exercício leve? Que nada!

Embora aparente leveza e movimentos delicados, o balé clássico exige muita força física. E a descoberta não vem de hoje. Em 2008, um estudo realizado pela Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, comparou dançarinos profissionais do Royal Ballet com nadadores da equipe olímpica britânica, para provar que o balé traz tantos benefícios quanto a natação, considerada o esporte mais completo.

Praticado com regularidade (entre duas e três vezes por semana), o balé traz diversos benefícios físicos, mesmo para amadoras. “Mexe com o corpo todo, sobretudo com os membros inferiores e os músculos das costas. O corpo de quem pratica fica mais definido e a postura, ereta”, diz Zélia Monteiro, professora de Comunicação e Artes do Corpo da PUC-SP e de balé na Sala Crisantempo. Segundo Zélia, a aula é dividida entre movimentos na barra e exercícios aeróbicos, como saltos e giros, que gastam energia e exigem força física. “Dá até para perder peso”, diz.


Desafio para amadoras

José Ricardo Tomaselli, do Studio 3, lembra que as amadoras que quiserem retomar ou conhecer o balé na vida adulta precisam ter em mente que a dança servirá como atividade física e de bem-estar. “Agora, não existe mais a pressão dos bailarinos profissionais, que tanto espanta crianças. Dá para curtir só os benefícios”. Simone Santana, da Pulsarte, destaca que a dança requer dedicação para superar limitações do corpo. “Quem já fez um dia, não esquece. Pega o ritmo mais fácil”, afirma.

Dos 4 aos 21 anos, a analista de mercado Priscila Gassi levou o balé a sério. Parou por falta de tempo. No ano passado, decidiu retomar a atividade. Após o trabalho, Priscila, 33 anos, calça as sapatilhas e revive um pouquinho do sonho de infância.

Priscila admite, porém, que o reinício difícil a assustou. “Minha flexibilidade não era a mesma. E só me dei conta disso quando ia tentar alguns passos. Na minha mente, lembrava de como fazer, mas o corpo não obedecia. São mais de 10 anos e 10 quilos a mais”. Com o tempo, ela foi se adaptando e resistiu.

Hoje, volta a colher os primeiros frutos: “Minha postura melhorou muito. Estou emagrecendo e meus músculos estão mais torneados”, fala, animada. A maior alegria, porém, é curtir cada minuto da aula. “Gosto até de participar das apresentações de fim de ano, mas o que vale mesmo é o bem-estar”.




*Amei fazer esta reportagem , publicada no dia 12/02/2011, na Revista Jt, do Jornal da Tarde (pautada na carona do sucesso do filme Cisne Negro!) Gostosa de apurar, de escrever...Acima, está reproduzida com alguns cortes.  Bjos

E, viu,como ainda dá tempo?
 ; )
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